sábado, 13 de março de 2010

Qual a diferença entre efeito estufa, aquecimento global e o buraco na camada de ozônio ?


Esses três são fenômenos distintos, mas muito confundidos.

O efeito estufa é um processo natural da Terra, que garante que o calor gerado pela luz do Sol fique preso no planeta, mantendo uma temperatura agradável e adequada à manutenção da vida. O fenômeno é causado por uma camada de gases, os chamados "gases do efeito estufa", como o dióxido de carbono (CO2), que agem como um “cobertor”, segurando o calor por aqui.

O aquecimento global é uma intensificação do efeito estufa, causada pelo acúmulo desses gases na atmosfera, devido ao aumento das emissões causado pela ação humana ao longo dos séculos (principalmente após a Revolução Industrial).

O buraco na camada de ozônio é um problema completamente diferente, causado por outros gases. A camada de ozônio absorve os raios ultravioletas do Sol e é destruída pela emissão de gases CFC, que eram usados em geladeiras e condicionadores de ar até o advento do Protocolo de Montreal, que proibiu seu uso. Apesar de ser um problema diferente, os CFCs ligados ao buraco também contribuem para mudanças no clima, porque também são gases-estufa.

O aquecimento global não pode ser um fenômeno planetário natural?

Muito provavelmente não. Muitas pesquisas têm sido feitas nos últimos anos para verificar se não seria esse o caso, mas hoje os cientistas têm mais de 90% de certeza de que as mudanças climáticas têm como principal causa as emissões de gases como o dióxido de carbono pela atividade humana.

Essa certeza foi afirmada no relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), órgão da ONU responsável por assuntos relacionados ao clima, divulgado em fevereiro.

O aquecimento global não pode ser culpa do Sol?

Alguns cientistas, como o russo Khabibullo Abdusamatov, do Observatório Astronômico de São Petersburgo, acreditam nisso. Mas a imensa maioria dos pesquisadores do assunto discorda. Para Abdusamatov, o aquecimento planetário observado nos últimos 50 anos é fruto pura e simplesmente de uma intensificação da atividade solar.

Um estudo publicado na revista científica “Nature” em setembro de 2006, no entanto, afirmou que o impacto da radiação solar nas mudanças climáticas da Terra é muito pequeno. Nesse trabalho, feito pelo Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas de Boulder, os cientistas comparam a variação na atividade solar com os registros climáticos dos últimos séculos e concluem que a influência do Sol foi muito pequena para ser levada em conta.

O aquecimento global vai inundar as cidades litorâneas?

O aumento da temperatura planetária pode derreter geleiras dos pólos Norte e Sul. Com isso, o nível do mar deve subir, o que ameaça cidades costeiras e ilhas.

Essa elevação não será de um instante para o outro nem será de muitos metros inicialmente, como em um grande tsunami, então ninguém que mora no Rio de Janeiro ou em Salvador precisa ficar preocupado com morrer afogado de repente. Mas isso não quer dizer que esse fenômeno será lento o suficiente para ninguém ligar pra ele. Ilhas na Oceania já estão registrando perda de território pelo avanço do mar.

O maior problema da elevação para o Brasil não está tanto nas cidades, mas fora delas. Áreas urbanas têm infraestrutura para se proteger. Elas podem, por exemplo, construir diques, como os das cidades holandesas. O complicado deve ser fazer o mesmo para ecossistemas nativos, como por exemplo, os manguezais.

O aquecimento global transformará o planeta em um grande deserto?

Não. O aquecimento global é um aumento na temperatura média do planeta. Não significa que todas as regiões terão verões de 40 graus. O aquecimento global gerará mudanças no clima de diversas regiões de maneiras diferentes.

O Nordeste brasileiro e boa parte da África realmente devem se preocupar com a desertificação. Mas outras regiões, por exemplo no Canadá, devem passar a ter um clima bastante agradável e propício à agricultura. A Amazônia não deve se desertificar , mas pode perder boa parte de sua biodiversidade e deixar de ser uma floresta tropical e se transformar em um grande cerrado.

O aquecimento global é irreversível?

Muito provavelmente, sim. Mesmo se pararmos completamente de emitir carbono agora, alguma mudança climática, mesmo em menor grau, será inevitável pelas próximas décadas.

O que os cientistas ainda debatem é se já passamos do chamado “ponto de não retorno”, o ponto em que mesmo parando as emissões, mudanças climáticas catastróficas não poderão ser evitadas. Se passarmos desse momento, todo o planeta entrará em desequilíbrio, com solos congelados e calotas polares derretendo.

Na maioria, o que eles defendem é que as emissões de gases do efeito estufa precisam diminuir imediatamente, e novas tecnologias que aumentem a eficiência energética precisam ser mais usadas para evitar que esse ponto seja alcançado.

O Brasil tem culpa no cartório?

Tem. Apesar de ser um país em desenvolvimento, que historicamente emitiu muito menos carbono do que as nações industrializadas do Hemisfério Norte, o Brasil é um dos que mais contribui para o aquecimento global. O motivo? As queimadas na Amazônia, que liberam dióxido de carbono em grandes quantidades na atmosfera.

Vamos ter mais furacões como o que atingiu Santa Catarina em 2004?

É difícil prever com exatidão, mas as tempestades devem ganhar força, principalmente na América Central, mas também no Brasil. O sul do país já está experimentando alguns dos efeitos do aquecimento global, com ressacas do mar mais intensas. A tendência é que todos os eventos climáticos extremos aumentem em freqüência.

Por que o etanol é considerado um aliado contra o aquecimento global?

O etanol não é um combustível “mais limpo” que a gasolina, porque ele também emite dióxido de carbono (CO2, o gás carbônico). A grande diferença é que o crescimento das plantas que são usadas para produzir o etanol absorve esse gás. Ele se enquadra no chamado “ciclo curto” do carbono.

O “ciclo curto” é o que envolve todo o carbono biológico em circulação, ou seja, aquele que é produzido e absorvido por seres vivos. Seres humanos respiram oxigênio e liberam gás carbônico. Plantas absorvem esse gás carbônico e liberam o oxigênio. É uma troca.

Quando se planta cana para produzir etanol, essas plantas vão absorver gás carbônico. Então, quando a queima do etanol libera o gás, as coisas se completam. O ciclo se fecha e não sobra carbono para ficar na atmosfera.

A gasolina vem do petróleo, uma fonte de carbono que estava há milhões de anos no subsolo. A formação do petróleo faz parte do chamado “ciclo longo” do carbono e surge a partir da decomposição de compostos orgânicos. Ao queimar petróleo, nós liberamos carbono que vai demorar outros milhões de anos para ser reabsorvido. Esse carbono “extra” fica na atmosfera, e causa o aquecimento do planeta.

Por que as fontes de energia limpa, como energia solar e eólica, não são mais usadas?

Basicamente, porque elas ainda não são eficientes o suficiente para serem usadas em larga escala. Elas são muito úteis em pequenas comunidades, onde a rede elétrica convencional não chega. Mas para alimentar cidades ou indústrias, elas não são competitivas o suficiente.

É preciso mais desenvolvimento tecnológico para elas serem usadas em larga escala.

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